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DOR NAS COSTAS? TEM JEITO...

Testamos seis tratamenos para descobrir qual deles vai acabar com suas dores mais rápido - e para sempre

Por: Mike Zimmerman
Foto: Darryl Estrine e Alex Ostroy
Publicado 01/06/2006

6 DA MANHÃ.
A dor aparece só como uma fisgadinha, nada mais que uma tachinha sendo fincada num enorme quadro de cortiça - até que eu saio da cama e tento ficar de pé. A tragédia floresce um pouco acima do meu traseiro, paralisando todos os músculos até o ombro. Não há nada mais a dizer, na verdade, quando parece que a sua coluna acaba de ser arrancada do seu corpo como uma tira rasgada do envelope do banco. Penso no bebê. Deve ter sido ele. Na noite anterior, me abaixei negligentemente para pegar meu filho mais novo, a fim de tirá-lo da sua cadeirinha alta. Senti realmente um "puxão" na hora, como se fosse uma dor causada por bonequinho de vodu.

Toda manhã, as dores nas costas se espalham sobre a Terra. É a segunda causa mais comum de faltas no trabalho, atrás somente do resfriado comum. É claro que um sofrimento dessa escala não passou despercebido pelos empresários. Digite "back pain" no site da Amazon e você verá mais de 700 resultados para livros de auto-ajuda sobre o tópico. Faça o mesmo no Google e você terá mais de 27 milhões de resultados. Só para você ter uma idéia, a procura por Sabrina Sato dará um resultado de 468 mil sites. E isso não leva em consideração compressas quentes e frias, massageadores, travesseiros, colchões e qualquer coisa rotulada como "suporte lombar" que esteja disponível para os aflitos. Também não leva em conta os médicos, ortopedistas, cirurgiões da espinha dorsal, quiropráticos, acupunturistas, fisioterapeutas e psicoterapeutas que estão tratando os já mencionados aflitos. Vários levantamentos nos Estados Unidos colocam o orçamento anual de gastos com dores nas costas em algo entre 2fi bilhões e fi0 bilhões de dólares por ano. Mas não se preocupe com o dinheiro. Para todos nós que sofremos desse mal, existe somente uma pergunta: essas coisas realmente funcionam?

Para descobrir, decidi me tornar o Ulisses do reumatismo muscular e explorar todos os maiores tratamentos para dores nas costas. Eu acharia respostas para perguntas clássicas: a acupuntura funciona? A minha mente está piorando a dor (e pode melhorá-la)? Os quiropráticos são os salvadores da coluna, como dizem ser? E a minha mulher permitiria que eu fosse visitar uma oriental para uma sessão de massagens nas costas? (Resposta rápida: não.) Eu tinha um duplo objetivo: acabar com o segredo de como diminuir a minha dor e achar uma maneira permanente de não deixar ela voltar.

1 - O MÉDICO DA FAMÍLIA
Tenho meu médico há alguns anos, mas nunca fui lá fazer algo diferente do meu check-up anual. Ele sorri e acena com a cabeça, demonstrando familiaridade quando falo sobre as minhas costas; ele, um homem saudável na faixa dos 50, já ouviu milhares de reclamações de dores nas costas ao longo dos anos. "A coluna é uma máquina traiçoeira", diz. "Ereto, o homem pode levantar até 400 quilos. Mas é só carregar um bebê de forma errada e pronto."

Ele cutuca aqui e ali para determinar se tenho alguma dormência ou fraqueza. Tudo ok. Pergunta se a dor estava chegando até a parte de trás das minhas pernas. Estava antes, mas não agora. Eu tive alguma perda de apetite ou de peso? Não. Perda no controle da bexiga ou do intestino? Não, desde o dia do meu casamento. Ele me inclina para a frente e depois para trás. Pede para que eu gire para a esquerda, depois para a direita. É desconfortável, mas eu consigo fazer tudo.

Ele dá o diagnóstico: uma luxação sacrolombar ("lombar" é a região inferior das cinco primeiras vértebras na minha coluna; o "sacro" é relativo ao osso sacro, entre a lombar e o cóccix). O pior da dor já tinha passado, então o médico não prescreveu nada mais que um antiin fl amatório. "Poderíamos dar uma injeção com algum remédio", ele diz, "mas você está melhorando e não será necessário."

No final, o dr. Shore, meu médico, me pede um exame de ressonância magnética para ver o que mais há na minha região lombar, me instrui a usar as minhas pernas o máximo possível quando estiver levantando peso e sugere que eu coloque alguns exercícios para fortalecer o tronco na minha ficha de academia (ainda falarei mais sobre isso). Além disso, eu deveria "me mover numa velocidade confortável".

Uma enfermeira me liga dias depois com o resultado da ressonância. Estou com "doença degenerativa dos discos e três pequenas herniações lombares". Meu Deus! Doença do disco? Ela me assegura que tudo isso é muito natural e faz parte do processo de "envelhecimento". Envelhecimento? Só tenho 35 anos.

O VEREDICTO: CONFUSÃO. EU TENHO UMA LUXAÇÃO SACROLOMBAR OU UM PROBLEMA NOS DISCOS? A única coisa que sei é que as minhas costas estão doendo, já melhorou um pouco e que os discos da minha coluna de 30 e poucos anos estão se degenerando enquanto a gente conversa. Quanto à receita, esperar a dor passar e tomar antiinflamatório é o que normalmente faço, e acho isso pouco eficaz.

Mas e se eu tivesse preferido a injeção - uma combinação de lidocaína, um anestésico, e Depo-Medrol, um esteróide de longa duração? O ortopedista Eduardo Puertas, chefe do grupo de coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unifesp, diz que injeções com antiinflamatórios mais fortes devem ser receitadas apenas em casos mais graves. "Só depois que o antiinflamatório via oral não fizer efeito."

Mesmo com tudo que foi dito, o médico da família deve continuar sendo a sua primeira parada. Em alguns casos, a dor nas costas pode ser sintoma de uma doença séria, como pedras nos rins ou até câncer.

O seu clínico-geral é também um médico de entrada, que encaminha aqueles com dores incessantes para vários exames e tratamentos especializados, incluindo remédios para dores, indicações de cirurgiões ortopédicos e receitas para fisioterapia. Você só deve entender que o clínico-geral é um médico pra tudo, não um especialista em coluna.

2 - O ACUPUNTURISTA
"Pode me chamar de Feng." Vou lembrar dessa frase por muito tempo. Ouço isso pela primeira vez numa sala de exame numa clínica de dor em Manhattan (EUA). Ping Feng é uma acupunturista chinesa na faixa dos 40 anos e que mede 1,60 metro e pesa no máximo 45 quilos. Ela pede para eu ficar somente de cueca e deitar de barriga para baixo numa mesa de exame, que tem um buraco para eu colocar o rosto. "Tem medo de agulhas?" Ela pergunta com sotaque forte. "Ainda não", respondo. Ela dá uma risadinha. "Você não vai sentir nada."

Tudo que eu ouço é um estalo alto para cada agulha, como uma faixa de borracha sendo batida num bife. (Feng, como eu descobriria depois, usa os dedos para fincar as agulhas bem rápido na pele. Outros dão uma pancadinha nas agulhas com um tubo.) Eu não sinto a maioria delas. Algumas, sim. Uma que é colocada no meio das minhas costas doeu... como uma agulha presa no meio das minhas costas. Algumas outras não são doloridas, só dão arrepios. Elas dão nos nervos. Os músculos tremem por alguns segundos e depois param.

Até onde sei, ela introduz um par em cada tendão da perna, três ou quatro na parte superior do meu traseiro, o resto na porção inferior das minhas costas. Já estava deitado na mesma posição havia cinco ou dez minutos, então decidi mudar um pouco. Feng segurou o meu braço. "Não, não se mexa!" Tudo bem. "Agora começa a eletricidade", ela diz. "Começa o quê?" "Eletricidade através da agulhas. Ajuda a relaxar os músculos." Ouço um barulho leve de plástico estalando. Estou louco para dar uma espiadela. Ela dá uma mexidinha nas agulhas e depois retira uma a uma num puxão rápido. Eu imagino as minhas costas iluminadas como um velho letreiro. Assustador. "Ok", diz Feng. "Vinte minutos. Não se mexa." Ela apaga a luz, liga o som com música clássica em algum lugar próximo da minha cabeça e desaparece. Silêncio. Vinte minutos. Não posso me mexer. Cara, aquela agulha do meio das costas está doendo pra caramba.

O VEREDICTO: ENQUANTO CAMINHO DE VOLTA PARA CASA, MINHAS COSTAS ESTÃO BEM MELHORES, LEVES, PRATICAMENTE SEM DOR. Acupuntura funciona. Na verdade, vários estudos defendem seu uso especificamente para dores nas costas. "As agulhas fazem o cérebro liberar endorfina, o que diminui a sensação de dor", diz Flávio Dantas, vice-presidente da Associação Médica Brasileira de Acupuntura. Já foi mostrado por meio de eletroencefalogramas que uma agulha de acupuntura muda as ondas do cérebro."A acupuntura é um tratamento que deve ser receitado por um médico, assim como a quantidade de sessões", diz Dantas. Na maior parte dos pacientes, tem efeitos duradouros depois de três a seis sessões. Ou seja, acupuntura não vem em dose única, o que explica por que, depois de 30 minutos da minha viagem de volta para casa no ônibus, aquela fisgada voltou na minha baixa lombar direita. Mas não retorno para sessões adicionais. Mesmo sem o tratamento de choque de Feng - estimulação elétrica transcutânea, técnica normalmente reservada para pacientes com dores mais extremas -, achei o processo todo desconfortável e enervante.

3 - O QUIROPRÁTICO
A mesa de tratamento é fria. Ela fica na vertical e eu tenho de dar um passo na sua direção com o rosto indo de encontro a ela. Depois, com o aperto de um botão, tudo isso se abaixa até ficar horizontal. A promessa não mencionada: depois de um ajuste, vou me elevar como o Darth Vader, de Guerra nas
Estrelas. Renascido. Vamos ver.

Primeiro, Stephen Kulik, um cara gentil na faixa dos 40, olha de novo o resultado da minha ressonância magnética que levei para o seu consultório, localizado na mesma rua em que eu moro, em Macungie, Pensilvânia (EUA). Ele também checa as radiografias que me pediu. E me mostra os discos com hérnia na ressonância magnética. Nas manchas escuras, há degeneração no terceiro, no quarto e no quinto disco lombar.

De acordo com o dr. Kulik, minhas radiografias revelam a coluna e a pélvis fora da linha. Ele desenha uma linha reta com um lápis gorduroso do meu esterno para baixo, através da minha pélvis, e eu vejo onde o alinhamento se desvia do centro em cerca de meio centímetro. "Sua pélvis está um pouco torcida ali", diz ele. "Nós vamos ajustar você para que volte para a linha." Ele também desenha outras linhas com o lápis na radiografia de perfil. "Você viu essas vértebras? Elas se encontram num ângulo de 33 graus e comprimem o disco. Nós podemos abrir esse ângulo para dar mais alívio ao disco."

Vou para a minha primeira sessão na mesa. Dr. Kulik passa o polegar pelas minhas costas, cutucando minhas vértebras enquanto o desliza sobre a minha coluna. Em seguida ele levanta uma tira de faixa abaixo da minha pélvis em cerca de meia polegada. Abruptamente, dá um empurrão para baixo na minha nádega esquerda, e um estalo traz tudo de volta para a posição. De novo. E uma terceira vez. Sem estalos.

Então ele coloca as duas mãos no meio das minhas costas e me aperta como se estivesse tentando expelir um pedaço de alguma coisa. Minha coluna dá só um pequeno estalinho. Em seguida, me deito do lado direito com o joelho esquerdo levantado pela metade em direção ao queixo. "Relaxe e olhe para o teto", diz. Depois o cara se inclina sobre mim e me aperta. Minha coluna dá um estalo longo e gratificante.

Estou pronto! "Te vejo na próxima quarta", diz o dr. Kulik. Minhas visitas subseqüentes vão ficando ainda menores - três minutos na mesa e depois rua. Depois da segunda visita, ganho a programação do tratamento: três vezes por semana, durante quatro semanas; depois uma vez por semana, durante quatro semanas.

O VEREDICTO: A QUIROPRÁTICA É EFETIVA. Depois de oito semanas, a minha dor melhora substancialmente e quase vai embora completamente. Mas me contaram que, para conseguir alívio de última hora do quiroprático, você terá de saber qual é o plano. "Deve existir um elemento condicionante por trás das séries de ajustes, ou, então, não há como fazer nada para prevenir que os ossos voltem para a posição que produzia dores. A idéia de que um comprimido, uma injeção ou um ajuste vai manter uma pessoa não condicionada sem dor é ilógica", diz Tim Maggs, um quiroprático esportivo que tem feito estalos nas costas do time de futebol americano New York Giants (EUA).

Como aquela história do condicionamento não foi mencionada, parei de ir no dr. Kulik. Outra razão: ele quer que eu volte para mais 24 visitas, durante 12 semanas. Sem condições. Meu plano de saúde cobre apenas 20 visitas por ano. Quero economizar para novas emergências. Para o dr. Flávio Dantas, é essencial procurar um profissional especializado e com formação médica ou em fisioterapia. "Como a quiroprática ainda não é muito comum nem regulamentada no Brasil, existem pessoas pouco preparadas aplicando essa técnica, podendo atrapalhar mais do que ajudar", diz ele.

4 - O ESPECIALISTA EM DOR
No dia em que visitei o Instituto Médico Mente/Corpo, em Boston (EUA), a cidade estava paralisada com quase 1 metro de neve nas ruas. Meu vôo de volta para casa já estava cancelado. Gasto mais de uma hora para andar 8 quilômetros e chego atrasado, morrendo de dor nas costas.

A reação ao estresse a que estamos acostumados, como níveis elevados de cortisol, aumento na pressão sangüínea, músculos contraídos, realmente faz a dor física ficar pior. Isso se chama "angústia da dor". Algumas vezes, a angústia pode causar mais dor que um ferimento propriamente dito.

Por sorte, assim como podemos responder negativamente ao estresse, "nosso corpo pode produzir uma resposta de relaxamento", diz Ellen Slawsby, co-diretora do programa de dores crônicas do instituto. "Só que as pessoas simplesmente não fazem isso." A reação de relaxamento reverte o efeito do estresse. Os níveis de cortisol e norepinefrina (neurotransmissor que eleva os batimentos cardíacos) caem, enquanto os níveis de óxido nítrico, dilatador de vasos sangüíneos, crescem.

Meditação é a forma mais rápida e fácil de produzir uma reação de relaxamento, e Ellen quer fazer uma tentativa comigo. Seu conselho favorito para os homens relutantes em praticar meditação? "Faça graça para mim", diz ela.

Então a gente começa lá mesmo no seu consultório, cercado de neve. Ellen fala baixo e devagar, de forma metódica, repetitiva (um elemento crítico da meditação, me conta depois). "Sua mão direita está quente", ela diz. "Sua mão direita está pesada." Ela completa uma série de afirmações similares para o meu braço direito, depois para a minha mão e o braço esquerdo, as duas pernas e os pés. Fecho os olhos naturalmente. E então tiro da mente o carpete industrial e uma combinação útil de
luz fraca e sombras escuras, e transformo tudo isso num rio de cores. Cara, consegui chegar lá. Ela pede para abrir os olhos.

"Quanto tempo durou?", pergunto. "Mais ou menos 20 minutos", ela responde. Vinte? Pareciam cinco. Volto para a cadeira, tentando achar o ponto da dor. Ele está lá, mas tenho de procurar. Olho para ela e dou uma risada.

O VEREDICTO: ÚTIL. VOU TENTAR DE NOVO NO VÔO DE VOLTA PARA CASA. Quando abro os olhos, os 20 minutos evaporaram. Uau. Eu me sinto como se tivesse tirado uma soneca. Será? Sem brincadeira, no resto do meu vôo estava relaxado e sem dor.

O segredo é a distração, diz Alan Schatzberg, professor de psiquiatria e ciência do comportamento na Escola de Medicina da Universidade Stanford. "Focar o pensamento em outras coisas ajuda bastante", diz. Meditação é uma maneira de focar, mas qualquer atividade tranqüilizante que absorva a sua atenção pode reduzir a reação de estresse. No Brasil, segundo o dr. Eduardo Puertas, a indicação de um especialista em dores para a coluna não relacionadas ao câncer não é comum. "O paciente costuma achar exagerado quando sua dor é considerada crônica", diz ele.

Um alerta do dr. Schatzberg: quase metade de todas as pessoas clinicamente deprimidas possui dores crônicas, então preste atenção nos sintomas relacionados à depressão, como insônia e dificuldade de concentração. O conserto pode ser bem fácil com uma nova geração de antidepressivos.

5 - O CIRURGIÃO DE COLUNA
Estou usando um par de tênis com molas de alta tensão para o calcanhar. A cada passo, meu corpo todo salta de 2 a 4 centímetros extras. Os chamados tênis de bobina parecem ridículos, mas atingem o objetivo na luta contra a dor nas costas: não sobrecarregam muito a coluna. Stephen Hochschuler,
um sujeito troncudo de 65 anos, co-fundador do Instituto da Coluna do Texas, é meu anfitrião. E também usa tênis com molas.

Existe uma vibração clara de que tudo pode ser feito nessa fortaleza de Dallas, que é líder em pesquisa e tratamento dos males da coluna nos Estados Unidos. Seus funcionários atendem entre 17 mil e 19 mil novos pacientes a cada ano. Em pesquisas, eles desenvolvem o equivalente ao trabalho de três universidades. Mas, mesmo que o local tenha sido fundado por dois cirurgiões, menos de 10% dos pacientes entram na faca. "Se você pode viver com isso, nós não o abrimos", diz o dr. Hochschuler.

Depois de uma rodada de raios X, ele me examina da mesma forma que meu clínico-geral, o dr. Shore, testando algum problema motor ou nos nervos. Estou normal. Depois ele vai checar as minhas radiografias. Ao voltar, ele pede para eu deitar de barriga para baixo.

"Ok. Isso provavelmente vai doer se eu estiver certo, então prepare-se." Já sobrevivi à Feng, penso. Ele espeta bem forte com o polegar no lado direito da minha região lombar. Começo a ranger os dentes. É aí que dói! "É aqui?", pergunta. "Aí mesmo", resmungo. Ele achou!

Ele concorda com a cabeça, sorri e me deixa levantar. "Venha aqui. Quero mostrar a você uma coisa." Meus exames estão pregados na parede fora da sala de radiogra1 a. O dr. Hochschuler mostra meus três discos escuros. "Você tem uma saliência aí, com certeza", diz. "Mas tenho dúvida de que a sua dor venha de algum deles." Ele me mostra outro raio X. "Viu esses cortes? São as suas articulações da coluna. Você tem uma em cada lado de cada vértebra. Agora olhe esta aqui." Ele aponta para o lado direito da articulação da minha quarta vértebra lombar. Em comparação com as outras, ela parece... estragada.

"Meu palpite é que você tem um pequeno esporo no osso", ele diz. "É exatamente onde eu coloquei o meu polegar agora. Acho que é isso que está causando a dor."

Acredito nele. De todo mundo que eu consultei, ele foi o único que literalmente colocou o dedo na ferida. Sua receita, no entanto, me abalou: "Fique em forma". Como assim? Corro de 25 a 30 quilômetros por semana, pulo corda todas as quartas e levanto peso. Não sou um Adonis, mas ainda não virei o John Belushi.

"Você está carregando mais peso do que devia", ele disse. E eu sei que está certo. "Seu tronco não tem condicionamento. Você tem pouca flexibilidade." Tudo verdade. E isso faz mal. Resumindo, se meus músculos fossem mais fortes e os ligamentos mais flexíveis, as articulações estariam mais bem protegidas e o esporo no osso não iria atrapalhar mais o tecido em volta.

O VEREDICTO: "ALONGAMENTO E FORTALECIMENTO SÃO AS CHAVES PARA O TRATAMENTO DE DORES LOMBARES", diz o dr. Haralson. "Realmente não importa qual é o diagnóstico." Isso levanta outra questão: existe alguma vantagem em ir no cirurgião de coluna primeiro? O médico concorda que, quanto mais rápido você visitar um especialista, mais rápido você ficará livre do problema. Mas ele pede paciência. Procure um especialista somente se sua dor não melhorar depois de pelo menos três semanas de tratamentos mais conservadores. "Sessenta por cento das dores nas costas vão embora depois de três semanas, não importando o que seja feito", diz ele. "Não tente nada caro ou perigoso. O melhor tratamento - e nós temos dados para mostrar isso - é a atividade física."

6 - O FISIOTERAPEUTA
Algumas verdades duras: você nunca está em boa forma o quanto pensa. E você está envelhecendo mais rápido do que imagina. A saúde da região do
tronco é vital. Eu soube de tudo depois de uma sessão com Dennis Duerring, meu fisioterapeuta no Ambulatório de Reabilitação Good Shepherd, em Allentown (EUA). Duerring tem 31 anos e um corpo de atleta - ele mede mais ou menos 1,90 metro, ombros largos, e inclina-se como um nadador. Tento não ficar parado na frente dele.

Trabalhando a partir da receita do dr. Hochschuler, Duerring começa com um exame semelhante ao que já fiz antes. A única diferença: enquanto estou deitado de barriga para baixo e levantando as pernas uma de cada vez, ele nota algo interessante. "Posso ver os músculos da região lombar esquerda trabalhando, mas não os que ficam no lado direito." Sua teoria: meu corpo compensou o ferimento da articulação e os músculos daquele lado estão atrofiados. Parece que também tenho um dos tendões da perna mais esticados que ele já viu.

Nós começamos com alguns alongamentos básicos: tendões das pernas, alongamento de coxas, panturrilha. Devo segurar por 30 segundos e fazer três repetições de cada lado. "Sinta puxar, sem dor", diz Duerring. Depois mais 13 exercícios de estabilização do tronco, mas esses são rápidos. Em 15 minutos, faço 160 repetições de costas e tronco e em nenhum dos exercícios há necessidade de uma extensão de movimentos maior do que de alguns centímetros. "É isso", diz Duerring. "Faça os alongamentos todos os dias e os exercícios, dia sim, dia não. Vejo você em uma semana."

O VEREDICTO: UMA REVELAÇÃO. Os outros tratamentos me proporcionaram momentos sem dor. Mas, depois de três sessões de fisioterapia e alongamentos diários em casa, estou tendo meus primeiros dias sem dor em muito tempo. A razão, diz Michael A. Clark, presidente da Academia Nacional de Medicina do Esporte dos EUA, é que estou reativando e treinando a camada mais profunda de músculos no tronco. "Essa camada se junta às articulações e cria estabilidade", diz. "Várias pesquisas mostram que esses músculos retraem quando você tem dor nas costas - e não voltam ao normal."

O segredo para treinar esses músculos? Movimentos curtos e deliberados. "Você quer qualidade do movimento, não quantidade", diz Clark. "Se você se exercita muito rápido, os músculos grandes irão compensar os pequenos." Exemplos: exercícios com levantamento das pernas, para trabalhar a parte baixa do abdome, e com levantamento das pernas em direção à barriga, para trabalhar a região lombar e abdominal.

QUE LIÇÃO TIRAR DISSO? LEVE ESTA:
acupuntura, quiroprática, meditação e remédios podem ser poderosas e necessárias ferramentas para o alívio da dor. Mas, se não 1 zer desse alívio uma oportunidade para colocar o corpo nos eixos, você estará fadado a novas dores. Penso nas dezenas de pacientes que vi durante a minha odisséia, de todas as idades, pesos e tipos. Todos mancando, usando bengalas, muletas e andadores; sobrancelhas franzidas e rosto carrancudo. Eles estão aprendendo tudo o que aprendi. Deixei meu tronco abandonado e um esporo no osso da junta controlarem a minha vida há anos. Se alguma força do mal me 1 ncar com aquela chave de fenda de novo, terei ferramentas para combatê-la. Até lá, vou gastar 15 minutos extras três vezes por semana fazendo
o que eu deveria estar fazendo há anos. Preço baixo para uma vida normal.

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NA FALTA DE UM COLETE, não há nada que dará mais folga às suas costas que essas dicas de Arnie Kander, chefe de fisioterapia do time de basquete Detroit Pistons.


CHEQUE O RETROVISOR DO SEU CARRO. É fácil adquirir má postura em longas viagens ou no engarrafamento. Ajuste o retrovisor só um pouquinho mais alto para que, cada vez que olhar, você lembre de relaxar os ombros e sentar ereto.

USE UMA TOALHA. Ficar sentado por longos períodos acaba com os discos da sua lombar. Uma toalha de rosto enrolada e posicionada entre a curva da coluna e a cadeira ou o banco de carro vai ajudar a diminuir a pressão. Deixe uma toalha no escritório e outra no carro.

ESQUEÇA O NOTEBOOK. Ele foi feito para ser portátil e deixa você com uma péssima postura, porque o teclado está preso à tela. Se você não pode trabalhar sem, use um teclado separado.

PARA LEVANTAR OBJETOS, SAIBA SE AGACHAR: dobre as pernas e levante. Nunca se incline a partir da cintura.

GASTE TEMPO. Movimentos bruscos acabam com as costas.

 

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