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Jogue para o futuro: proteja suas bolas e dê um olé nos problemas de infertilidade

Por: Bruno Favoretto e Paolo Federici
Foto: Paul Taylor / Getty Images
Publicado 01/08/2008

Temos duas notícias para você. Primeiro a ruim: seus espermatozóides seriam mais fortes e saudáveis se você tivesse 25 anos no início da década de 80. Antes de explicar porque, vamos à boa: dá para cuidar deles e evitar uma série de problemas que podem comprometer sua fertilidade. Agora vamos ao problema: a poluição. A informação vem de uma pesquisa do Centro de Crioconservação de Gametas Masculinos da Universidade de Pádua, na Itália.

 

Segundo o diretor, Carlo Foresta, o ar poluído está repleto de estrógenos, hormônios sexuais femininos que, evidentemente, não podem fazer bem ao seu organismo másculo. Emitidos pela queima de combustíveis à base de petróleo e espalhados no ar pelo escapamento dos carros, eles bloqueiam a produção de dois hormônios masculinos, o LH e o FSH, que estimulam os testículos a produzir espermatozóides. Ruim, né? Como protegê-los? Contra a poluição, não há muito que fazer, a não ser, talvez, morar no campo. Mas existem ainda outros nove fatores de risco que colocam a região mais preciosa do seu corpo em perigo. Aprenda a dar um drible neles.

 

 

1. Bolada na zona do agrião


A situação - Você fica na barreira na cobrança de falta. E paga o pato.


O risco que você corre - Um golpe mais violento nos testículos pode detonar os epidídimos, canais que envolvem os testículos. "Um trauma pode causar desde pequenos inchaços, que regridem com repouso e antiinflamatórios, até danos que podem causar infertilidade", alerta o urologista Douglas Otto Verndl, da Sociedade Brasileira de Urologia. Em casos extremos, as lesões podem levar à necrose ou à atrofia testicular.


Como se defender - Contra as boladas assassinas não há muito o que fazer, só se defender como dá. Aplique compressas de gelo. "Se uma hora depois os testículos ainda doerem, procure um urologista, pois pode ter havido ruptura da bolsa escrotal. Nesse caso, a conduta é cirurgia reparadora imediata", diz Celso Gromatzky, urologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e consultor da MH.

 

 

2. Treino sem fim


A situação - Você passa mais horas malhando na quadra ou na academia do que "malhando" com sua namorada.


O risco que você corre - "Se você exagera nos exercícios, pratica esporte todos os dias durante três ou mais horas seguidas, aquece demais o corpo e, conseqüentemente, os testículos. Ao longo dos anos, o hábito pode enfraquecer a produção de testosterona, o hormônio masculino", explica o andrologista Isaac Yadid, diretor do Huntington Centro de Medicina Reprodutiva, no Rio de Janeiro. Esse enfraquecimento é gradual: você comete o erro hoje e aos 40 anos sente diminuir sua libido.


Como se defender - Pratique exercícios na medida. "Desde que não extrapole na carga, a atividade física regular pode aumentar os níveis de testosterona e estimular a produção de espermatozóides", diz Wolfgang Schulze, andrologista da Clínica Universitária de Hamburgo, na Alemanha.

 

 

3. Pedalar na bicicleta


Depois de 20 minutos pedalando, a temperatura de seus testículos ultrapassa os 35 graus, devido à pressão que o selim faz contra o períneo (região situada entre o escroto e o ânus). Assim, quanto mais você pedala, mais seus espermatozóides cozinham. E não são só eles que sofrem. "Um estudo alemão comparou a ereção de ciclistas e nadadores da mesma faixa etária.


O resultado detectou disfunção erétil no dobro dos praticantes de bike em relação aos que nadavam", conta o urologista Douglas Otto Verndl. Pela saúde de seu aparelho genital, faça alguns pit stops sempre que andar muito tempo de bike. A regra também vale para quem monta a cavalos.

 

 

4. Jeans e cueca apertada


A situação - Você curte peças justas que ressaltam seu dote.


O risco que você corre - Pode acabar fritando os ovos. Para produzir um sêmen sadio, os testículos têm que estar a uma temperatura mais baixa que o resto do organismo, entre 33 e 35 graus. "Por isso, ficam pendurados para fora do corpo. Se você os aperta, pode causar um edema e deixar o sêmen mais fraco", aponta Isaac Yadid. Esse é um problema contemporâneo, já que na época em que os índios andavam completamente nus os testículos se sentiam sempre livres.


Como se defender - Encha seu guarda-roupa de cuecas e calças confortáveis, que não apertem os bagos. Além de modelagens mais folgadas estarem na moda, você não corre o risco de ser confundido com o Jon Bon Jovi.

 

 

5. Briga com a balança


A situação - Você está gordo e ainda por cima adora o yakisoba do Xing Ling da esquina.


O risco que você corre - Se você está acima do peso, alerta: pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, descobriram que sujeitos com índice de massa corporal (IMC) acima de 25 têm espermatozóides com menos qualidade. Isso porque a gordura desregula os hormônios andrógenos (o principal é a testosterona). Calcule seu IMC em nosso site: www.menshealth.com.br/calculadora. E qual o problema da culinária chinesa? Um estudo irlandês do Hospital Royal Victoria, em Belfast, acusa: ela usa muita soja, rica em estrógenos vegetais.


Como se defender - Encha o tanque de zinco, mineral essencial para a saúde dos órgãos reprodutivos. Encontrado na ostra, no bife de fígado, no espinafre e nas amêndoas, ele ainda estimula a libido.

 

 

6. Estresse além da conta


A situação - Você vive mais nervoso e agitado do que operador da bolsa de valores no auge do pregão.


O risco que você corre - O estresse causa dificuldade de ereção porque o corpo libera adrenalina, que promove o fechamento das artérias e dificulta o fluxo do sangue para o pênis", lembra Douglas Otto. Também aumenta a descarga de radicais livres, substâncias oxidantes que comprometem a produção de esperma. Uma pesquisa da Universidade de Campinas (Unicamp),revelou que o esperma de camponeses é mais saudável do que o de comerciários e executivos urbanos.


Como se defender - Relaxe, pratique exercícios, saia com os amigos e divirta-se. Melhor ainda, faça mais sexo: quanto mais tempo os espermatozóides ficam parados nos testículos, mais preguiçosos ficam. Vale até mesmo o cinco-contra-um.

 

 

7. Celular no seu bolso


A situação - Você anda sempre com o celular enfiado no bolso da frente das calças.


O risco que você corre - Segundo estudo do Centro de Pesquisa Reprodutiva dos Estados Unidos, quando o celular está guardado na altura da pélvis, as ondas magnéticas que ele emite podem diminuir a quantidade, a qualidade e a mobilidade dos espermatozóides. Mas há também muitos especialistas que não concordam com essa teoria.


Como se defender - "Não há comprovação 100% segura desse risco", afirma Isaac Yadid. Mas para que deixar o celular tocando ou vibrando tão perto de uma área de segurança máxima? Guarde-o no bolso do paletó ou nos bolsos de trás das calças. Apesar de os médicos afirmarem que não há problema, você não tem motivo nenhum para correr perigo à toa.

 

 

8. Trânsito na hora do rush


A situação - Você passa horas e horas ao volante. Todos os dias.


O risco que você corre - Ficar um tempão grudado no banco do carro com as pernas fechadas aumenta a temperatura do seu "radiador" e reduz o número de espermatozóides sadios. Isso foi descoberto em um estudo feito com centenas de taxistas pela Universidade La Sapienza, em Roma, na Itália. Já o Grupo de Pesquisa em Fertilidade Humana, na França, detectou que ao dirigir por duas horas seguidas, os motoristas tiveram uma elevação de 2 graus nos testículos. "Isso atrapalha a formação dos espermatozóides", ratifica Gromatzky.


Como se defender - Sempre que o sinal ficar vermelho, ponha o possante em ponto morto e abra bem as pernas: é o suficiente para aliviar o calor lá de baixo.

 

 

9. Cigarro (pois é, sempre ele!)


A situação - Você é uma chaminé e nunca pensou em deixar de ser.


O risco que você corre - As substâncias nocivas do cigarro aumentam a descarga de radicais livres, que causam oxidação das células saudáveis e provocam doenças. "O fumo, da mesma forma que a maconha e a cocaína, reduz o número de espermatozóides e compromete sua locomoção", afirma Isaac Yadid.


Como se defender - Neste caso, só existe mesmo a saída que você já sabe (e talvez evite a todo custo): parar de fumar. "Cortar o vício também melhora a qualidade da ereção, pois o cigarro piora a circulação, estreita os vasos e, com isso, dificulta o fluxo do sangue para o pênis", explica Giovanni Colpi, andrologista do Hospital San Paolo, em Milão, na Itália.
 

 

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